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Lisboeta...mas pouco!

O dia-a-dia de uma alfacinha...que de alfacinha tem pouco!

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Seg | 05.02.18

Desabafo...

Carlota

O post de hoje vai ser um desabafo.

Antes de me matricular no 10º ano vivi um dilema: ir para Humanidades ou Ciências. Por um lado, sempre adorei letras e línguas e, por outro, para seguir ciências farmacêuticas precisaria dos exames de ciências e eu e a matemática nunca nos demos bem.

Decidi, depois de passar muitas horas em branco durante a noite, que iria para Humanidades. Comecei, desde logo, a ouvir as típicas "bocas": "Queres ser mais uma para o desemprego?", "Humanidades? Isso dá para que saídas?", etc, etc. Para quem tem 15 anos, admito que este descrédito no curso que havia escolhido, não me deixou muito animada. 

Mas as aulas começaram e eu cada vez me convencia mais que havia tomado a decisão certa. Durante os 3 anos do secundário fui a melhor aluna da turma e terminei com média de 18 valores. Claro que não me escapei das piadas sobre o quão fácil o meu curso era, que matemática é que era difícil, que História A toda a gente fazia. Mas a verdade é que se enganam. Para se ir para Humanidades tem de se ter mesmo gosto e aptidão pelas letras. Tal como para ir para ir para Ciências é necessário ter gosto pelos números. Sempre me orgulhei do curso que escolhi e nunca diminui os outros ou os seus respetivos cursos por achar que o meu era superior. Aliás, uma das coisas que os meus professores do secundário sempre cultivaram foi o respeito (pelos outros, por nós e pelos outros cursos), um dos valores humanistas. 

Passados os 3 anos, chegou um novo dilema. Não para mim, mas sim para os outros. Tinha como principais opções para a faculdade Relações Internacionais e Ciências da Comunicação. Entrei neste último curso e, apesar de não ir muito convencida no início, agora posso dizer que me orgulho do curso onde ingressei e onde fui acolhida. Mas, como sempre, surgiram as questões: "Ciências da Comunicação tem saída?", "O que há mais para aí são jornalistas...". ATENÇÃO: Ciências da Comunicação NÃO É SÓ JORNALISMO. No segundo ano, terei a oportunidade de escolher entre 4 vertentes e sim, uma delas é jornalismo. E depois? É uma profissão como as outras e é uma profissão que exige muita dedicação e trabalho e onde se faz trabalhos excelentes, como é o caso das reportagens sobre o caso da Raríssimas e das adoções ilegais nos lares da IURD.

Mas o que me levou a escrever este post não são todas estas questões que me têm vindo a colocar e que, até certo ponto, me desmotivam. Há já algum tempo que aprendi a lidar com isso e agora vivo muito bem com os opiniões dos outros! O que me trouxe aqui foi uma situação que ocorreu há umas 2 semanas.

Aproveitando o facto de estarmos de férias, eu e umas amigas minhas fomos à nossa escola secundária visitar a nossa professora de português, que é uma excelente pessoa e que sempre nos ajudou em tudo.

Já à conversa com a nossa professora, surgiu a coordenadora do departamento de Português e sugeriu que, visto que já passámos pela fase de escolher um curso no secundário e já ingressámos no ensino superior, seria bom falarmos numa palestra que a escola vai dinamizar. É de referir que uma das minhas amigas está em Direito e a outra em Estudos Clássicos. Qual não é o meu espanto quando, ao perguntar-nos o curso que frequentávamos, a dita coordenadora se virou para mim e disse "O seu curso não tem o grau de exigência que os das suas colegas têm". EU OUVI BEM? Sim, ouvi e admito que não respondi. Mas arrependo-me imenso de não o ter feito. Eu admitia aquele comentário de uma pessoa que não conheça o curso, que não saiba a dificuldade que é o ensino superior (em qualquer curso). Mas daquela pessoa? Fiquei chocada e enervada. Muito mesmo. Mas fica a lição: para a próxima respondo à letra!

Isto tudo, para dizer que todos os cursos têm a sua importância, que uns não são mais fáceis do que os outros. Cada um tem o seu grau de exigência e as pessoas devem aprender a respeitar as nossas escolhas e cada área de formação existente!

 

Até ao próximo post!

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